25/06/2007

Aeroporto II - A saga


Eu e a mamãe voltamos do mercado para o aeroporto, pegamos nossas malas no guarda-volumes e fomos para o check-in com uma hora antecedência. Tudo isso para tomar um chá-de-cadeira de quase 2 horas. Contando que chegamos 1 hora adiantadas, ficamos 3 horas esperando para embarcar.


Na escala em Maceió todos os passageiros tiveram que descer do avião e esperar aproximadamente 1 hora para embarcar novamente.


Calma, a saga ainda não acabou. Após a decolagem em Maceió, durante o vôo fomos notificados que a velocidade seria diminuída, devido ao fluxo de aviões no aeroporto de Guarulhos. A segunda parte da viagem que era de 2 horas, viraram 3 horas.
Tudo isso regado a dois saquinhos de amendoim e uma barrinha de cereal.Chegamos no aeroporto de Aracaju as 15:30 e pousamos em São Paulo as 23 hs.


Foto: Eu e mamãe, finalmente embarcando!!


Tchau Itabaianinha!!! Fui muito bem acolhida e espero poder corresponder com todo o carinho que eu recebi.




15/06/2007

Partida e Mercado de Aracaju


Combinamos com o Toinho o frete até Aracaju. Pelo mesmo preço da passagem de ônibus ele nos deixa no aeroporto de Aracaju. O único incoveniente foi o horário: 5:30hs da "matina".

Eu e minha mãe aproveitamos o tempo livre até o horário de partida e fomos (de ônibus)conhecer o mercado de Aracaju.

São dois prédios. Um deles funciona como uma feira e vende todo tipo de alimentos, mas principalmente verduras, legumes, frutas e frutos do mar. No andar de cima é possível encontrar roupas e calçados, mas a maioria industrializado.
No outro mercado, no prédio ao lado, esse com somente um pavimento, funciona a feira de artesanato. Não encontrei nada muito inovador. Achei interessantes as bonecas em argila pintadas a mão que imitam a beleza da mulher sergipana.

Vale a pena conferir a banca que vende literatura de cordel, muito tradicional, o próprio banqueiro escreve cordéis e trabalha no mercado há anos. Tem até uma placa colocada pela Prefeitura, indicando o local da banca e o ano de instalação.

Foto: Bonecas em Argila, pintadas a mão.

14/06/2007

Último ensaio


Hoje foi o último ensaio, antes da apresentação amanhã, em Estância. Neste ensaio havia música pra marcar os passos. Um sanfoneiro convidado veio tocar. Tudo para ajudar a quadrilha à acertar a coreografia.

Quando eu cheguei eles já haviam começado. Fui recepcionada com alegria e abraços. A sensação foi de acolhimento e só nesse momento me dei conta de que era o último dia em Itabaianinha. Vou sentir muita saudades.

Ao final do ensaio, após prometer enviar um par de calçado de São Paulo para os participantes da quadrilha (anotei todos os números), oito pares, me despedi desejando boa sorte na apresentação de amanhã.

Mas a noite ainda não acabou, nem o carinho e atenção desse pequenos. Dedé, irmã de Toinho, sabendo que eu queria muito ver o vestido que elas iriam usar na quadrilha, me levou até a casa da costureira para vermos o vestido e fotográfa-lo.

Foto: Dedé penteando os cabelos para tirar a foto com o vestido da quadrilha.

Loja de Lingerie


Quando voltei de Carretéis fui com minha mãe até o centro, numa loja de lingerie, fabricação própria (a confecção é umas das atividades econômicas fortes da cidade, lembra?), comprar umas peças. Afinal ninguém é ferro...

O curioso é que as lojas de Itabaianinha não vendem produtos baratos, nem roupas, nem coisa alguma. Em alguns lugares os preços praticados são até mais altos que em São Paulo. Porém a loja de lingerie foi "um achado" e não é propaganda não, as peças são boas e com preços bastante acessíveis. Vale a pena passar por lá. Não tem como errar. É a única loja de peças íntimas na cidade.

Lá trabalha a Érika, também pequinina. Ela tem duas irmãs, uma anã também e outra não. Elas são muito bonitas. Embora ela seja formada em padagogia e já tenha feito estágio no Banese (Banco Estadual de Sergipe) não consegue arrumar trabalho na sua área.

Ficamos conversando e descobri que ela é associada ao "Gente Pequena do Brasil", a Associação de anões fundada pelo Hélio Pottes, aqui em São Paulo e que eu já visitei algumas vezes.

Falei sobre a Lei de Cotas e trocamos e-mails. Vou ajudá-la a buscar trabalho com auxílio da Lei Federal.

A outra irmã de Érika, que também é anã, é professora e dá aula para jovens e adultos, por meio de um projeto da Petrobrás. Vaninha é muito articulada e muito preocupada com os problemas da cidade, principalmente a falta de trabalho e recursos para a população. Conversei com ela na ASCRIN, no dia do ensaio da quadrilha e gostei muito dela.

(Foto: Detalhe na praça do Centro)

Carretéis 4 - Os anões do Arrocha





A última visita foi na casa da dupla de forró "Os anões do Arrocha". São os dois irmãos , Clécio e Cleidivan, que além de fabricarem vasos e artefatos em argila, artesanalmente, ainda esbanjam talento cantando e tocando nas festas juninas de Sergipe.
Quando chegamos eles estavam ensaiando para uma festa em Estância (amanhã), cidade próxima daqui. Aproveitamos pra curtir um sonzinho.

Toinho e Maria dançaram até suar. Ganhamos música com dedicatória às "meninas de São Paulo".
Eles são muito carismáticos e levam jeito pra coisa, começaram a fazer show a menos de um ano. Clécio aprendeu a tocar teclado há aproximadamente 3 anos. Tentou tocar violão e cavaquinho, mas segundo ele "não deu certo". Resolveu estudar teclado, fez dois meses de aula e abandonou a sala, aprendendo o resto sozinho. Hoje toca tudo, mas principalmente forró.

Carretéis 3 - Mariínha



A visita mais esperada da semana. O xodó de Itabaianinha. A chegada na casa de Mariínha. A anã mais fofa e risonha que conheci.

Ela tem um cachorro bravo, que não queria que nós entrássemos em casa de jeito nenhum. Acabei sendo recebida no portão mesmo.

Descobri que ela adora uva, então levei para ela de presente. Nossa, fiquei surpresa com o entusiasmo dela quando viu as uvas. Ela ficou tão feliz e eu mais ainda.
Ela queria saber se plantando os caroços das uvas ia nascer um pé de uva. Me contou que tentou plantar maçã mas não "vingou".

Mariínha não é tão tímida quanto os outros anões que eu visitei. Já acostumada com tanta bajulação, afinal todo mundo que vem a Itabaianinha e quer saber dos anões, vai conhecê-la.

Ela é realmente encantadora. Sua risada e a vozinha aguda e divertida são inconfundíveis.

(Foto: Irmã de Mariínha, Mariínha e minha mãe)

Carretéis 2 - Jucicleide


Estrada de terra, céu azul, com nuvens enormes, montanhas, pastos e cheirinho de mato. Essa era a paisagem da estrada de terra na zona rural de Itabaianinha. Paramos num sítio muito bonito com uma casinha no alto, um lago e muitas cabras. É lá que vive Jucicleide e sua família (a mãe e dois irmãos).

Quando cheguei ela estava sentada na mesa da cozinha, com uma expressão séria debruçada sobre um livro e um caderno. Perguntei se ela estava estudando e me confidenciou que estava fazendo um trabalho para uma amiga.
Jucicleide já trabalhou como agente de saúde em Carretéis e hoje quer estudar enfermagem. Me falou que é difícil, mas ela vai tentar, porque é o que ela sonha fazer. "Não adianta estudar outra coisa, agente tem que fazer o que gosta", afirmou.

(Foto: Jucicleide, sua mãe e eu)

Povoado de Carretéis - Tinho do cavaco


Depois do almoço o Toinho (do Táxi) veio nos buscar na porta da Pousada do Pereira. Maria da Hora veio conosco também. Fomos visitar o povoado de Carretéis.

Toinho e Maria trouxeram o albúm de casamento deles para nós vermos. Ganhei também uma cópia do dvd com o vídeo da quadrilha e o casamento caipira que aconteceu no ano passado.
O casamento caipira é uma festa que movimenta bastante a cidade, com desfile de cavalos, muito forró e um casamento ensaiado, que lembra um carnaval de rua.

O casamento de Toinho e Maria Hora teve 60 padrinhos (30 casais) e mais de mil convidados. Eles ganharam praticamente tudo, desde de o vestido de casamento até a lua de mel. Mataram 3 bois para a festa no ACRI Clube, um churrasco. Um casamento grandioso para um casal pequenino, que parou a cidade, afinal, foi o primeiro casamento entre anões em Itabaianinha.
Em carretéis nossa primeira parada foi na casa Tinho, que toca cavaquinho e canta. Muito simpático, ele nos recebeu bem. Ele mora com a irmã e o sobrinho. Muito simples com um jeitinho tímido de quem mora na roça, ensaiou umas notas e depois conversou um pouco conosco. A visita foi muito rápida, já que tínhamos outros lugares pra ir.

(Foto: Tinho ensaiando uma modinha)

Feira de coisas diferentes...


Hoje, durante o café-da-manhã, desobri que o que chamamos de curau os sergipanos chamam de canjica. E a canjica é chamada de "mucunzá".

A Rafaela, filha do "seo Pereira" se divertiu comigo por causa disso e resolveu me levar na feira pra me mostrar umas coisas diferentes.

Lá eu conheci um pé-de-moleque, que não tem nada a ver com o nosso, é um bolo de macaxeira ou puba(?) doce, assado numa folha de banana.

Conheci também o jenipapo, uma fruta da qual já tinha tomado suco diversas vezes mas não sabia com o que ela se parecia.

E as últimas descobertas foram o cajá, que eu muito sabichona falei que era uma seriguela e a tapioca de folha.

Em tempo, nosso delicioso pé-de-moleque é conhecido por aqui como "cocada de amendoim".
(Foto: Adivinhem que fruta é essa? E eu não tô falando da banana hein!!!)

Quadrilha Junina no ACRI


Após o ensaio, fomos ao ACRI Clube assistir uma apresentação de quadrilha da escola. Aqui as quadrilhas juninas são levadas muito a sério e os preparativos parecem uma formatura de colégio.


As apresentações duram aproximadamente 1 hora e são contratados músicos, sanfoneiros e forrozeiros para acompanhar a quadrilha. Nada de "CD de São João", é tudo ao vivo.
Outra curiosidade: aqui em Itabaianinha mora o Batista do Acordeon, excelente sanfoneiro, que é afilhado de Luis Gonzaga.


Os trajes típicos caipiras são muito elaborados, difícil saber qual é mais bonito, lembra o capricho das fantasias carnalescas das escolas de samba. A tradição é levada muito a sério.


As comidas de festa junina são muito diferentes das de São Paulo. Minha mãe viu uma bebida chamada "Príncipe" e perguntou o que era, o homem da barraca disse que era quentão. Quentão frio? - nós perguntamos - E ele rebateu "É, mas esquenta viu!!".
(Foto: Pose da última quadrilha que se apresentou no ACRI)

Ensaio Quadrilha dos Anões


A noite nos fomos ao Ensaio da quadrilha dos anões. Foi o auge da visita a cidade. Me diverti muito. O ensaio foi na sede da associação dos anões a ASCRIN (Associação de Crescimento Físico e Humano de Itabaianinha). A mulheres muito animadas chegaram primeiro. Conheci o Toinho do Táxi e a Maria da Hora, sua esposa. Eles são muito simpáticos e alegres. Aliás, a característica principal dos anões, todos eles são sorridentes e divertidos.
Descobri uma anã, a Maria, que vive em Carretéis, um povoado no interior e parece ser o "xodó" da cidade. Amanhã o Toninho vai me levar lá e também vai me levar num outro povoado para conhecer dois irmãos, músicos, que formam uma dupla de forró e fazem cerâmica artesanal.

(Fotos: Toinho e Maria da Hora / Ensaio)

Olímpico x Confiança


(Foto: Estádio lotado)

Jogão do Olímpico contra o Confiança, de Aracaju. Mulher paga meia entrada (R$ 2,50). O jogo foi bem legal. O bandeirinha e o juiz foram muito xingados. Não é porque eu torci pro Olímpico não, mas eu achei o jogo mal apitado. Bom, o placar acabou ficando em 1x0 pro Confiança. Eu me senti a maior pé fria da história.

O Nivaldo, filho do dono da pousada, ficou bem exaltado durante o jogo e era um dos que fazia coro pra xingar o bandeirinha. Eles chamavam ele de "cabrunco" e outros nomes que eu não entendi direito.
E como toda cidade, as mulheres não se interessam muito por futebol.
(Foto: As pé-frias no estádio)

Enquanto isso na Delegacia...


Visitamos a delegacia hoje. O prédio foi reformado recentemente e é bem bonito. Nem se compara com as delegacias em São Paulo, muito tranquila, dá vontade de ficar lá sentada a tarde toda batendo papo e sentindo a brisa.


Bom...voltando ao trabalho. O crime mais comum em Itabaianinha é a violência doméstica, são registrados 1 a 2 casos por dia. Esse número aumenta nos finais de semana por causa das festas e o abuso no consumo de bebidas alcóolicas.


O segundo crime mais praticado é o furto, no entanto ocorrem somente 1 ou 2 por semana.


Crimes hediondos são raros e há pouquíssimos registros. Atualmente existem três presos no xilindró de Itabaianinha.


(Foto: Minha mãe jogando conversa fora na delegacia)

13/06/2007

Ensaio


Hoje a noite a filha do "Seo Pereira", que é estudante de letras, vai realizar um ensaio de quadrilha somente com anões, a apresentação será na sexta, em Estância, uma cidade próxima de Itabaianinha.

Fomos convidadas pra assistir o ensaio. Mal posso esperar.

Hoje também é dia de encontrar o Prof. Juraci, que escreveu um livro sobre a cidade e nós pretendemos adquirir um exemplar.

(foto: Detalhe de uma rua da cidade. Paralelepípedo e casinha com porta na rua)

Joaninha


Por incrível que pareça é difícil encontrar os anões em Itabaianinha. É preciso treinar o olhar e saber por onde eles andam. Tem anã vendedora, anão motorista de táxi, funcionária da prefeitura, artesão, músico e por aí vai.


A primeira anã que eu conheci, e por sinal a menor, foi a Joaninha, funcionária da Prefeitura. Joaninha parece uma bonequinha, muito vaidosa, encomenda calçados em Aracaju porque não gosta de usar sapato de criança. Foi muito simpática, e nos ensinou como encontrar o Toinho (taxista), marido de Maria da Hora, também anã. Vamos pedir pro Toinho nos levar até Carretéis, o povoado dos anões.

Igreja da Praça


Como toda cidade pequena Itabaianinha tem um centro onde fica a praça, com a Igreja. Mas a Igreja da cidade se destaca da maioria pela beleza. A igreja de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade é extremamente bonita, seu interior é recheado com imagens de santos, afrescos, lustres delicados. O altar abriga uma imagem da N.S. da Conceição em tamanho grande.
Os casamentos e as missas ocorrem somente nos finais-de-semana.
Excepcionalmente hoje vai acontecer uma missa de sétimo dia.

Estádio do Olímpico


No nosso primeiro passeio encontramos o estádio do Olímpico, time oficial da cidade, que aliás, é o atual líder do campeonato estadual. Hoje nos iremos assistir a uma eliminatória entre o Olímpico e o Confiança, time de Aracaju. Adivinha pra quem iremos torcer? Talvez eu consiga uma foto com o time.

Pousada


O Junior foi bacana e nos deixou na portada Pousada. Descobri que deviamos ter feito reserva, a pousada estava quase lotada. Conheci o Nivaldo, filho do "seo Pereira", ou Pereirinha e a sua esposa.


Eles foram muito simpáticos, aliás uma características do povo daqui. Estão sempre de bom-humor. As acomodações são simples, mas organizadas e a comida é bem feita. Almoçamos na pousada e logo saímos pra andar pela cidades.

Hotel Ibis e Jantar


Ficamos hospedadas no Ibis, pra amanhã partir pra Aracaju. Fomos jantar no Shopping Jardim, pertinho do hotel, três quarteirões. Confesso que não senti muita diferença de São Paulo. Shopping cheio, lojas conhecidas, exceto pelo calor, diria que estava na capital.


O pessoal do hotel era um pouco atrapalhado, me confudiram duas vezes com outras pessoas. Me chamaram de Daniela e depois alguém tocou no quarto procurando a Larissa.


Na rodoviária não foi muito diferente, comprei a passagem na Rota Sul e a empresa que iria nos levar (nós o perdemos) era a Santa Maria. O fato é que ninguém nos avisou sobre isso. Acabamos pegando um ônibus para outra cidade e ficando no meio do caminho (trevo) e seguindo pra Itabaianinha no táxi do junior.


(foto: Táxi do Junior no trevo de Itabaianinha)

Avião


Eu e minha mãe viajamos separadas. Ela foi de TAM e eu de GOL, tudo por uma questão de (falta) logística. Conheci um casal no avião, a Betânia e o Alberto, estavam voltando de uma temporada na Europa, eram de Aracaju. Gente muito boa, fizeram minha viagem mais tranquila. Na chegada em Aracaju eles me ofereceram uma carona, mas eu tinha que esperar minha mãe e acabei declinando do convite.
Enquanto esperava, desembarcou um grupo chamado "Aviões do Forró", foi o maior furor, as meninhas gritavam, pediam fotos. Descobri que é uma das sensações das comemorações juninas em Sergipe. O próprio aeroporto estava todo decorado com bandeirolas coloridas.

Aproveitei pra visitar a sala de informações turísticas e saber mais sobre o menor Estado do Brasil. Será que é por isso que os anões se concentraram aqui???
(foto: Vista de Maceió do avião, escala antes de Aracaju)

Chegada


Agora eu compreendi o que significa a crise dos aeroportos. Perdi o domingo inteiro entre São Paulo e Aracaju.


Mas minha viagem foi boa e estou perdendo (um pouco) o medo de voar. Confesso que nós passageiros deveríamos ter direito a um pára-quedas, além do fone de ouvido e a revista.


Meu almoço foram dois saquinhos de amendoim e uma barra de cereal. Os aviões da Gol podem até ser a frota mais nova do Brasil, mas o serviço é muito ruim. Não rolou nem um vinho, era suco de pêssego ou refrigerante.
(na foto: eu e a mamãe na imensa fila do check-in)